terça-feira, 2 de novembro de 2010

Apresentação de «Os poemas não se servem frios» no Arte & Gourmet




Na próxima quinta-feira, no Arte & Gourmet, em Guimarães, preparei poemas para dizer, da única forma que o sei fazer: com o coração nas mãos, pronto a oferecê-lo a quem o quiser segurar.

A Ção Pitada, cantora de que ainda ouvirão falar muito, acompanha-me nesta viagem pelas palavras, numa cumplicidade a cada dia maior.

Não deixem de aparecer. O espaço é fabuloso.

Para ver localização:

http://www.facebook.com/profile.php?id=100000691407872

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Apresentação em Barcelos do meu sexto livro, segundo de poemas




Terei o maior prazer em receber-vos no auditório da Biblioteca Municipal de Barcelos, no próximo dia 23.
Convidei o Grupo intra-invencionista para fazer uma performance em torno dos poemas deste livro.
O Grupo é constituido por Margarete Silva, Antero Freitas e Cristovão Siano.
Elsa Sá, apresentará trabalhos seus em barro alusivos ao momento.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Não posso com cronistas


A publicar na edição do Jornal Barcelos Popular de 07/10/2010

Não posso com cronistas

Não posso com cronistas. Gente que não pode com isto, que não pode com aquilo.
Uns fracotes: não podem com nada!
Não posso com quem é incapaz de se rir de si mesmo, que passa a vida a ver defeitos nos outros.
Não posso.
Não posso com aqueles que escrevem este tipo de crónicas nos jornais, mas depois reagem mal às críticas, ameaçam com tribunais aqueles que vão para as suas páginas na net insultá-los.
Não posso com esses e com os que fazem coisas que tais.
Não posso com quem só lê o título, com quem só lê o final, com quem lê na diagonal.
Não posso com escritores de m..., mais ainda com alguns invejosos que nunca escreveram porra de jeito que fosse na vida, mas acham que deviam ser eles a ganhar os prémios, a terem a sua croniqueta nos tais jornais a que chamam pasquins.
A inveja é uma coisa perigosa e mora sempre na porta ao lado.
Não posso com cronistas, antologistas, bloguistas. Não posso com teóricos, metafóricos, trotskistas.
Não posso com o Zé.
O Zé mau leitor, o Zé estupor, o Zé que vive por favor.
O Zé cronista dos dias sempre iguais, que bate na mulher e afoga as mágoas em bares banais. Que diz poesia em cima de uma mesa vazia, embaixador da azia, mas editado em antologia.
Não posso.
Não posso com os cronistas que escrevem para alvoraçar, para que o leitor meta a mão na consciência, se pense no ridículo, e também com todos que os querem amordaçar.
Bom autor de crónicas é o que faz do exagero a própria realidade sem tirar nem pôr, se faz maior a cada negação, a cada ameaça, a cada insulto, e nessa angústia escreve e ganha o seu próprio salvo-conduto.
É por estas e por outras que não posso comigo, contigo e com o outro:
- Com o preconceituoso, o ciumento, o invejoso. O cínico, o vaidoso e o seu analista clínico.
Bom autor de crónicas não é o que fala do amor, da felicidade, do sonho, de um mundo melhor. É aquele que mete a mão na ferida, em sentimentos tão humanos como a raiva, o ódio, a inveja, em todos os sete pecados capitais.
É por isso que eu, no fundo, no fundo, até nem desgosto de cronistas, não posso mesmo é com o meu país.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Não posso com pimbas



Não posso com pimbas!

Não posso com pimbas nas artes de uma forma geral, que não estão só na música. Dos Emanueis aos Carreiras, passando pelos Marantes.
Estão por todo o lado e advogam o direito a publicarem livros, a exporem quadros.
Não posso com pimbas e por causa disso tenho o corpo cravado de chumbo.
É vê-los estrebuchar quando lhes digo na cara, que é como quem diz, nos sites da especialidade, que a sua escrita é de m…, os seus quadros uma bosta.
Não posso com pimbas.
Com as suas lamechices a que chamam poemas, ilustrados por meninos da lágrima ou lagos onde cisnes entrelaçam os pescoços num pôr-do-sol ao fundo.
Não posso com a forma depreciativa como me chamam intelectual, que não o sou, mas fosse isso pecado do qual tivesse que me arrepender.
Não posso com a pimbalhada que inunda os sites e os blogs, os livros de editoras reles e até as páginas dos jornais.
Não posso com poetas de meia-tijela sempre prontos a fazerem um poema-dedicatória:
«Este poema é dedicado ao Dr. Manuel Azevedo e sua maravilhosa equipa, que me operaram a um quisto na bunda…»
Não posso com pimbas, não posso com concursos de quadras de S. João, não posso com tipos que têm a mania que sabem pintar, mas que erram na perspectiva, no traço, na cor.
Não posso com manjericos pintados, com quadrinhas espetadas em palitos, não posso.
Não posso com quem abusa da inteligência de muitos, mas é aplaudido pela burrice de milhões.
Não posso com quem retira espaço a criadores bem mais meritórios, com quem ganha os concursos promovidos pelas câmaras Municipais sem saber ler nem escrever, com quem é aplaudido pela sua burrice.
Não posso com quem me chama vaidoso e arrogante, não porque me ofenda, que até o sou. Mas porque essa é única forma que tenho de ser diferente, o meu maior crítico e o mais mordaz.
Eu que no fundo, no fundo, até nem desgosto de pimbas, eu não posso é com o meu país.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Não posso com médicos veterinários


Não posso com médicos veterinários

Não posso com médicos veterinários. Há uns anos atrás tratavam os animais de quinta, metiam mãos calçadas com luvas por orifícios insuspeitos, analisavam urinas, aplicavam vacinas.
Hoje, muitos deles abriram clínicas, hotéis.
Cães e gatos, depois disso, passaram a sofrer de coisas tão humanas como otites, stress, cólicas intestinais, cataratas e afins.
Não posso com médicos veterinários.
Não posso com os preços que praticam, com as suas clínicas sempre muito limpas, decoradas com maravilhosas imagens dos fieis amigos, à mistura com publicidade aos milagrosos remédios para todos os males, quais farmácias de serviço não comparticipadas pelo estado.
Dantes, as carraças arrancavam-se à unha ou com uma infusão de drogaria em cinco partes de água, e as pulgas, enfim, eram uma espécie de animais domésticos, cuja coceira dava sempre algum prazer à falta de outros.
Hoje, têm nome estrangeiro os produtos que nos livram delas e custam os olhos da cara.
Os bichos tomam ampolas, comprimidos, são picados por agulhas finas. Fazem até depilação.
Não posso com médicos veterinários.
Gato atropelado, para além de segundo o ditado ter sete vidas, faz o dono perder parte substancial da sua, caso a compaixão e o amor ao animal o leve até estes estabelecimentos mercenários.
Se for preciso operar, a conta terá pelo menos três dígitos, acrescida de uma taxa de pernoita, mais os anti-inflamatórios e as vitaminas.
Cão ferido em refrega por cadela no cio, regressa a casa com uma espécie de abajur na cabeça, com as orelhas ligadas com gaze e adesivo, mais a indicação de muda de curativo a cada cinco dias, feita obviamente por técnico altamente credenciado, em clínica não menos especializada.
É por isso que não posso com médicos veterinários desta nova era de amor aos animais. Desta democracia abrangente que olha as também criaturas de Deus com ternura e compaixão, animais que fazem a alegria dos filhos, a quem falta afecto e carinho, assim substituídos, dizem que por falta de tempo dos casais modernos.
Nada tenho contra a bicharada de companhia, que hoje em dia vai das aves raras aos répteis, e ponho-me mesmo a imaginar uma piton stressada enrolada no pescoço de quem o merece.
Tenho eu próprio animais em casa e contas apertadas no final do mês, sou vítima também desta classe, cuja legitimidade em exercer não questiono.
Também eu acho que sofro de stress e tenho diarreias, cólicas e outras maleitas que me deitam por terra. Hoje ladro, amanhã mio.
E quando vou ao Centro de saúde da minha localidade para me tratar, que inveja eu tenho dos de quatro patas, desejoso que me façam uma festa na cabeça, que a enfermeira aperte a boquinha e me diga: bilu, bilu…
Não, em vez disso, espero e desespero nas filas, sou tratado com arrogância, curado tantas vezes com displicência.
Eu, que no fundo, no fundo, até nem desgosto de médicos veterinários, eu não posso é com o meu país.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Não posso com o Benfica



José Ilídio Torres escreve semanalmente no Jornal Barcelos Popular «Não posso com...»
Edição de 16/09/2010


Eu não posso com o Benfica, e nem coloco em questão a antiguidade do clube e os valores que o fundaram. Eu nunca poderia ser de um clube que foi o do regime durante décadas e deve parte do seu crescimento a essa associação.
Eu nunca poderia ser de um clube no seio do qual se generalizou a máxima “ Quem não é do Benfica não é bom chefe de família”, até porque a expressão “chefe de família” é também ela de cariz opressor, e tomando por consideração uma outra que diz que “Portugal é Lisboa e o resto é paisagem”, eu nunca poderia ser de um clube afastado das minhas raízes, mesmo que este se dissesse uma nação. Preferiria sempre a paisagem.
Depois, “Fado, Fátima e Futebol” não me servem enquanto homem vertical, na herança de quantos o foram antes de mim, fora de um contexto meramente biológico, numa linha de cultura, que não precisa da Amália para gostar do fado, de Fátima para ser cristão, do Eusébio para gostar de futebol.
Por isso é que eu não posso com o Benfica.
Também nunca me identifiquei com uma pretensa massa de gente que fala em milhões de iguais como se isso fosse sinónimo de força. Prefiro as imensas minorias. Aquelas que lutam por ideais que os outros não conseguem ver.
Pelas mesmas razões de que inúmeras vezes a verdade está naquilo que ainda não problematizamos, ainda não questionamos, prefiro descobrir simbolismos nos clubes esquecidos da periferia, nas suas sedes em bloco, no cheiro a bacalhau frito degustado com tinto, que pensar numa águia ensinada pairando sobre as cabeças dos amorfos, como se fosse a Fénix renascida das saudosas vitórias do Império.
A não filiação em qualquer corrente, a liberdade de poder enquanto criador assumir as minhas obras, não me deixa ser do Benfica pela razão óbvia de que se fosse pintor abusaria do vermelho, se fosse escultor da águia, se fosse escritor… da paciência de quem me lê.
Eu não posso com o Benfica porque um bom desportista não tem clube, nem se filia. Gere emoções e simpatias e luta pela vitória como forma de superação individual ou colectiva, na busca incessante da perfeição.
Eu nunca poderia ser de um clube que movimenta milhões e deve outros tantos. Que paga salários astronómicos, compra, vende e despede. Chame-se ele Benfica ou tenha ele outro nome qualquer.
Porque o futebol actual desvirtua de forma gritante o desporto. Porque a política se mistura nele como prostituta. Porque as verbas movimentadas são promotoras de negócios escusos. Porque é promotor de desigualdades. Porque goza com milhares de criadores geniais que não vêem o seu talento reconhecido, eu nunca poderia ser do Sport Lisboa e Benfica, mesmo sendo o orgulho de seis milhões, e por causa disso.
Mas, no fundo, no fundo, eu até nem desgosto do Benfica, eu não posso mesmo é com o meu país!

José Ilídio Torres

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Não posso com homens que dobram o pijaminha



Crónica semanal do jornal Barcelos Popular - 9/09/2010

Primeiro a calça, muito bem dobradinha pelo joelho, depois o casaquinho de botões, pela cava das mangas, rigorosamente a meio.
Não posso com homens que dobram o pijaminha e depois o colocam aos pés da caminha muito bem feita e esticadinha.
Que lavam os dentes a todas as refeições do dia e ainda usam fio dental para alcançar os lugares mais difíceis.
Que ainda vivem na casa da mãe viúva, e que na ausência de garagem, tapam todos os dias o carrinho com uma cobertura comprada no Continente.
Que verificam todas semanas o nível do óleo e da água, quer seja nos vidros, quer seja no radiador. Que juntam aditivos à gasolina, anticongelante e outras porrinhas, para assegurar a durabilidade do motorzinho do Fiesta.
Não posso com homens que dobram o pijaminha.
Politicamente, posicionam-se à direita, ou à direita da direita, mas não vão aos comícios do partido porque não gostam de confusão nem de cheiro a suor. Têm no entanto a fotografia do líder na cómoda, juntinho à imagem de Nossa Senhora de Fátima com os pastorinhos.
Gostam de fado, mas não apreciam Zeca Afonso nem os cantores de esquerda de uma forma geral.
Amam o Carreira, o filho, e o Espírito Santo.
Forram o comando da televisão com o plástico original da embalagem para não estragarem as teclas, usam camilhas nos sofás para não os sujarem, e o mais importante de tudo, descalçam-se ao entrar em casa, entalando os pézinhos nos chinelinhos de quarto, colocados muito direitinhos num cantinho do hall de entrada.
Não posso com homens que dobram o pijaminha.
Não posso com o seu jeito amaricado, onanista, de unhas muito bem tratadas.
Não posso com as camisas de botões no colarinho, as calças vincadinhas, os sapatinhos de verniz, quais Cinderelas.
Guardam tudo o que é recibo de despesa em capinhas organizadas por temas, fazem o IRS em 20 minutinhos antes da mamã chamar para comer a sopinha de nabos e penca, e que depois entregam garbosamente na repartição de finanças do bairro, os primeiros da fila.
Vão à missinha ao Domingo de manhã bem cedinho, para depois almoçarem religiosamente com a mamã ao bater das 12 horas.
A moça que um dia quis casar com um homem assim, nunca existiu no fundo.
E eu, também no fundo, muito no fundinho, até nem desgosto de homens que dobram o pijaminha, eu não posso mesmo, é com o meu país.

domingo, 22 de agosto de 2010

O sapo




Feio, gordo e de barba grisalha

Vejo um sapo neste espelho

Afinal mais um entre a maralha

Nos tomates do mundo, pentelho



Quixote de larga pança, moinho

Escrita em tudo o que o rodeia

Longo caminho tão sozinho

Amarra que não alcança ameia



E fuma a liberdade até estourar

O sapo feio, gordo, que me vejo

E ainda se dá ao luxo de criticar



Sabe de um rio maior que o Tejo

Não tem medo de nele naufragar

O príncipe sapo deste azulejo

sábado, 24 de julho de 2010

Edição limitada e autografada de «Crónicas do novo mundo»


Este livro que aqui já foi anunciado, que editei fora do âmbito da minha editora, e até daquilo que habitualmente escrevo, ilustrado por Silva Torres, está disponível para aquisição, autografado pelos autores, num total de apenas 100 exemplares....
Pode ser pedido para joseilidiotorres@sapo.pt, que guardará absoluto sigilo dos dados de quem o encomendar, pelo preço de 12,50 euros, com os portes à cobrança no destino já incluídos.
Caso escolham a modalidade de pagamento por Transferência Bancária, bastará então que seja feita para o NIB 004300050400100023411, identificando a origem, neste caso no valor de 10 euros.

Feira do Livro dos Arcos de Valdevez





Um prazer para mim regressar a esta terra que amo, para mais contando com a colaboração de duas amigas fantásticas. A cantora Ção Pitada e a multifacetada e talentosa Margarete Silva.
Estou-lhes muito grato, bem como aos arcuenses.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

XXVIII Feira do Livro de Barcelos em fotos

Apresentei no passado dia 15 de Julho o meu último livro na Feira do Livro de Barcelos.
Ficam as fotos para mais tarde recordar...




Pedro Silva Torres, o ilustrador. (meu irmão)




Os meus livros




Xavier Zarco, José Ilídio Torres e Silva Torres

sábado, 17 de julho de 2010

Troféus Milho Rei - vencedor na categoria de Mérito Cultural na Literatura

Decorreu na noite de ontem, a gala de atribuição dos Troféus Milho Rei, instituídos pelo semanário regional «Barcelos Popular», para premiar personalidades ou instituições que mais se destacaram no ano de 2009 em várias áreas.
No auditório da Câmara Municipal de Barcelos, perante uma plateia que o encheu, foi reconhecido o mérito individual e colectivo no desporto, no artesanato, nas artes plásticas, na acção social, no teatro, na política, na música e na literatura.
Neste último segmento, estavam nomeados os escritores; Fernando Pinheiro, com uma vasta obra editada na poesia, no conto e no romance, fundador da editora Calígrafo; José Pedro Lima-Reis, reconhecido médico e autor de variados livros, e eu próprio, José Ilídio Torres.
Em comum a estas nomeações o facto de os três autores terem editado obras literárias no ano de 2009, critério seguido pelo júri, só assim se explicando que o meu grande amigo e colega de escrita, Flávio Lopes da Silva, não estivesse entre os escolhidos.
Teria sido justo pela qualidade do seu trabalho, ainda agora acrescido de uma nova obra, apresentada na mesma noite e no mesmo local onde também mostrei o meu último livro, a Feira do Livro de Barcelos.
E foi com enorme emoção que vi o meu nome ser anunciado como vencedor desta categoria.
Se normalmente as palavras são a matéria-prima do meu trabalho, ontem foram muito escassas. Fui traído pela emoção, pela alegria do reconhecimento na minha terra natal, pela satisfação de ver o meu trabalho referenciado, nomeadamente o meu livro, «Diário de Maria Cura», que editei pela Temas Originais no passado ano.
Partilho este galardão com a editora que sempre me apoiou, a Temas Originais, nas pessoas do Xavier Zarco e do Paulo Afonso e de todos os seus colaboradores, e com todos aqueles que amam a palavra escrita e acreditam em mim.
É possível chegar onde se quiser, quando aquilo que se faz tem a verdade como Norte e o amor como destino.
É esse o meu caminho.
Muito obrigado a quantos votaram em mim pela internet, o prémio pertence-vos também.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Para além do tempo em destaque também na Feira do Livro de Barcelos



Estará comigo o Xavier Zarco, para falarmos dos meus livros editados pela Temas Originais e também de Crónicas do Novo Mundo que fiz especialmente para a Feira do Livro.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Procura-me (Na voz de Ruth Gomes)

Obrigado Ruth por dares voz a este poema.



Procura-me ( na voz de Ruth Gomes) | Upload Music




Procura-me num veio de pedra

Na coloração experimental de uma rosa

Num enxerto de cólera



Procura-me no prepúcio de um cometa

Na saliva ácida de um beijo



Procura-me sem certeza de me encontrares

De falarmos sequer a mesma língua



De haver todos os lugares inventados

E tudo a descobrir no ancoradouro do teu sexo



Procura-me pelos dedos, pelo corpo todo

Até te sobrar de mim aquilo que nunca te disse

As palavras como punhais.



Segreda-me ao ouvido o vento

O amarfanhado dos corpos nos búzios

O sol prometido que não veio

Uma virgem a quem borrataram de batom os lábios



Mas procura-me

Nem que isso te custe ir e vir, nascer e morrer

A certeza do caminho



Serei arco-íris em Braille,

Cão guia que te desrespeitou

E se me sobrar tempo, assassinarei os medos



Por isso, procura-me onde não estou

Um passo à frente de mim, um passo atrás de quem

lá vem.



Meu destino é amar-te até me doer.

domingo, 27 de junho de 2010

«O último beijo» de Manuela Fonseca

A convite da escritora e amiga Manuela Fonseca, estive no dia 26 de Junho no Atneu Comercial do Porto a apresentar o seu mais recente livro, um romance que vale a pena ser lido.
Foi um prazer rever amigos da escrita e estar com a Manuela neste momento especial para ela.


sexta-feira, 4 de junho de 2010

Sessão na Eb2,3 de Vila Verde




A convite da escola EB2,3 de Vila Verde, estive presente na Feira do Livro da Escola, fazendo sessões para alunos de 5º e 7º ano, que trabalharam os meus textos e fizeram desenhos excepcionais.
Um abraço a todos e até um destes dias. Gostei imenso de vos conhecer.